Tive oportunidade de visualizar o filme "San Andreas", que retrata um possível e esperado terramoto no estado americano da Califórnia.
Pondo de parte opiniões cinematográficas, apesar do drama familiar e amoroso que se desenrola ao longo do filme, deste podem retirar-se algumas lições de comportamentos a ter em caso de sismo e de análise de determinados sinais que nos podem ajudar a perceber o que vai acontecer a seguir. Além disto, o filme ajuda-nos também a perceber o que acontece quando um sismo de grande intensidade e magnitude atinge uma grande cidade e todas as situações que poderão ser vividas durante e depois da ocorrência do terramoto (pânico, mortos e feridos por todo o lado, falhas de electricidade e de telecomunicações, pilhagens, etc). No caso específico deste filme, tendo em conta que o sismo atinge uma cidade do litoral, é retratado também o tsunami que se seguirá ao terramoto.
Entre outros, destaco três momentos que podem servir de dicas de aprendizagem a quem visualizou este filme: se estivermos num interior de um edifício, devemos proteger-nos debaixo de uma mesa ou secretária, protegendo a cabeça; a referência ao denominado "triângulo da vida", que, basicamente, consiste na protecção junto a um móvel ou a uma construção resistente (sendo este o exemplo retratado no filme), que irá permitir que se crie um espaço entre esse objecto ou construção resistente e o local onde os destroços irão cair, permitindo deste modo que a pessoa ocupe esse espaço sem ser atingida por objectos em queda; por último, a análise do súbito recuo das águas do mar, que é um sinal claro que um tsunami está prestes a acontecer.
Tendo em conta que estamos num país onde a sua capital e arredores, assim como a zona sul do país, estão numa zona de elevado risco sísmico (tal como a Califórnia, nós também estamos à espera do nosso "big one"), tudo o que possa servir de aprendizagem à população poderá ser bastante útil na hora da verdade. Se pensarmos na quantidade de pessoas que o irão visualizar no cinema, no computador ou na televisão, filmes com uma componente comercial forte como " San Andreas", podem ser excelentes formas de educação e sensibilização da população. Em horas de tranquilidade pode soar a exagero, mas se fixarmos alguma ou algumas destas regras que o filme refere, poderá ser o suficiente para salvarmos a nossa vida e a de outros.
Nota Editorial
Este blog não se apresenta ligado a qualquer organização ou instituição relacionada, directa ou indirectamente, com a Protecção Civil e ao socorro. Não existe aqui qualquer intenção ou presunção de substituir os espaços oficiais das organizações que tutelam esta área ou de outras que com ela estejam relacionadas ou ligadas, quer do ponto de vista informativo, quer do ponto de vista técnico.
É um blog criado por um cidadão com interesse na área da Protecção Civil e que pretende, com o que neste espaço é publicado, dar a conhecer e, se possível, envolver outros cidadãos nas questões ligadas com as matérias da prevenção, mitigação, resposta e recuperação dos diversos tipos de emergências ou catástrofes.
Comunicar possíveis riscos e acções de resiliência é o principal objectivo deste espaço, sempre do ponto de vista de uma cidadania que se quer atenta e participativa.
A frase "todos somos Protecção Civil" é o lema deste espaço.
domingo, 28 de junho de 2015
domingo, 12 de abril de 2015
"Desastres Naturais - Impacto Económico e Período de Reconstrução"
De Andrea Klaus (engenheira de risco de resseguro na empresa Daimler Insurance Services, Gmbh) e prefaciado por José António de Sousa (Presidente e CEO da Liberty Seguros Portugal), esta publicação é uma interessante abordagem à temática dos desastres naturais, nomeadamente, aos impactos macro e micro económicos que estas calamidades naturais provocam nas regiões e populações afectadas.
O livro, na sua fase inicial, aborda alguns conceitos básicos da Gestão do Risco de Desastre, partindo depois para uma análise mais detalhada sobre os impactos económicos dos desastres naturais nos países em desenvolvimento, tendo como base o caso de estudo do impacto do tsunami de 2004 na região de Khao Lak na Tailândia. Questões como a importância da ajuda internacional (Comunidade Internacional de Doadores), o papel das organizações de ajuda na fase da resposta ao desastre e na fase da reconstrução/reabilitação da região e a questão da transferência de risco (questão fundamental nos países em desenvolvimento ou emergentes), têm uma interessante e pertinente reflexão nesta publicação.
O livro, na sua fase inicial, aborda alguns conceitos básicos da Gestão do Risco de Desastre, partindo depois para uma análise mais detalhada sobre os impactos económicos dos desastres naturais nos países em desenvolvimento, tendo como base o caso de estudo do impacto do tsunami de 2004 na região de Khao Lak na Tailândia. Questões como a importância da ajuda internacional (Comunidade Internacional de Doadores), o papel das organizações de ajuda na fase da resposta ao desastre e na fase da reconstrução/reabilitação da região e a questão da transferência de risco (questão fundamental nos países em desenvolvimento ou emergentes), têm uma interessante e pertinente reflexão nesta publicação.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Ciclo da Catástrofe
Ciclo da Gestão de Risco (LNEC, 2008)
Existem dois tempos de actuação neste Ciclo da Catástrofe: o tempo antes do desastre, onde se incluem as fases da Prevenção e da Preparação; e o tempo após a ocorrência do desastre, onde passamos para a fase da Resposta e de Recuperação (sendo que nesta última, é também o ponto onde o ciclo se reinicia e a fase da Prevenção surge novamente).
Na fase da Prevenção, são tomadas medidas "destinadas a impedir ou evitar que fenómenos naturais, actividades industriais ou outras desenvolvidas pelo homem, possam provocar catástrofes" (Oliveira, 2014, pág. 163). Nesta fase da Prevenção, pode incluir-se o conceito de Mitigação (aliás, esta fase aparece mencionada em alguns artigos e figuras como a fase da Prevenção e Mitigação). Este conceito de Mitigação compreende "medidas estruturais e medidas não estruturais empreendidas antes da ocorrência de uma ameaça natural, tecnológica ou originada pelo homem" (Oliveira, 2014, pág. 160). Nesta fase, têm destaque acções do tipo legislativo e de ordenamento do território.
Ainda antes da ocorrência do desastre, surge a fase da Preparação para o mesmo. Aqui procura-se implementar uma série de actividades e medidas "com o objectivo de reduzir ao mínimo as perdas de vidas humanas e outros danos e ainda organizando oportuna e eficazmente a resposta e a reabilitação" (Glossário Protecção Civil, 2009, pág. 32). Esta fase está mais ligada com a Protecção Civil e às entidades que com ela estão ligadas. Nesta fase são criados planos de emergência, definem-se níveis de alerta, são efectuados simulacros, procurando sempre envolver e educar a população, de modo a generalizar comportamentos e acções aquando do momento da ocorrência.
Ciclo da Emergência (Blog Protecção Civil de Setúbal, 2010)
Com a fase da emergência terminada e as equipas das diversas entidades devidamente colocadas no terreno, com a situação controlada, surge a fase da Recuperação. Esta fase compreende o "conjunto de decisões e acções após a catástrofe, destinadas a restabelecer as condições de vida existentes anteriormente à afectação da comunidade" (Oliveira, 2014, pág. 164). Nesta fase, deverão ser colocadas em prática, novamente, as questões relacionadas com a Prevenção, dando-se início a um novo Ciclo da Catástrofe.
Existem diversos trabalhos e obras que analisam e estudam esta matéria de uma forma mais profunda e, obviamente, com mais exactidão e pormenor do que aquela que é aqui apresentada. Aqui procurou-se fazer um resumo de todo o processo do Ciclo da Catástrofe. Existem ainda outros conceitos a ter em conta na abordagem a este processo, tais como, a Gestão do Risco de Desastre (antes da ocorrência) ou a Gestão da Emergência (durante ou após a ocorrência), entre outros.
Ciclo da Prevenção de Desastres (Atkinson et al, 2006)
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Uma aplicação para todos
Em parceria com Nuno Santos, aluno da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e bombeiro na corporação de Vila Pouca de Aguiar, o portal Bombeiros.pt desenvolveu uma aplicação para dispositivos móveis pioneira em Portugal.
A aplicação aborda temas e recursos tais como agentes extintores, matérias perigosas, emergência pré-hospitalar, ocorrências activas, risco de incêndio diário, condução fora de estrada, localização actual com recurso a GPS e pontos de água. Todos estes temas foram abordados com base na informação disponibilizada pela Escola Nacional de Bombeiros, Câmara Municipal de Lisboa (no que a matérias perigosas diz respeito, através da sua interessante página relativa a produtos NRBQ - agentes Nucleares, Radiológicos, Biológicos e/ou Químicos - e que foi elaborada em parceria com o Regimento de Sapadores Bombeiros), INEM, Autoridade Nacional de Protecção Civil, Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Google Maps e da Rede de Informação de Situações de Emergência.
Esta aplicação móvel, segundo os seus criadores, é direccionada para bombeiros e demais agentes de protecção civil. Contudo, ao fazer uma pesquisa na mesma, verifica-se que além da utilidade que esta poderá ter para os agentes directamente envolvidos no socorro, esta aplicação tem informação bastante útil e pertinente para toda a população, nomeadamente, nos tópicos sobre agentes extintores, emergência pré-hospitalar e risco de incêndio diário. Nestes tópicos, é prestada informação importante e que todos, sem excepção, deverão ter em mente em situações que podem ocorrer a qualquer momento e em que a primeira intervenção, o primeiro socorro a ser prestado e a prevenção, podem evitar danos materiais, ambientais e, sobretudo, humanos.
Esta aplicação é gratuita e poderá ser encontrada aqui.
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
CVARG - Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos
Para o acompanhamento da situação relativa à erupção vulcânica na Ilha do Fogo em Cabo Verde, tenho seguido as informações que o site da CVARG - Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos - vai transmitindo.
A CVARG é uma instituição inserida na Universidade dos Açores, que aproveitando o enquadramento geodinâmico desta região, se dedica a previsão e prevenção de desastres naturais na área da vulcanologia e outros fenómenos associados, tais como erupções vulcânicas, sismos, inundações, cheias, tsunamis, etc.
No que à erupção vulcânica da Ilha do Fogo diz respeito, o CVARG faz actualizações, praticamente, diárias, com informações sobre a movimentação da lava e da velocidade desta, dos danos que vai provocando ao longo da sua deslocação, assim como da quantidade de gases emitidos para a atmosfera pelo vulcão. Além desta informação diária, o CVARG tem no terreno um elemento da sua equipa de investigação, Jeremias Cabral, que é natural de Cabo Verde e que colabora também com a Protecção Civil da região.
Em baixo fica o link para a página do CVARG.
Site do CVARG
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sábado, 20 de dezembro de 2014
CFA - Country Fire Authority
Nesta altura, a Austrália atravessa a fase mais crítica no que a incêndios florestais diz respeito. Sendo uma das zonas do globo mais afectada por este tipo de ocorrência, acompanho com algum interesse o desenrolar das operações de combate aos incêndios florestais em território australiano.
Para o efeito, acompanho na rede social Facebook, as constantes actualizações da CFA (Country Fire Authority). Devo dizer, que fico, positivamente, surpreendido com a quantidade de informação disponibilizada em cada uma destas actualizações e pela forma simples e eficaz como a mesma é descrita.
Além de fazerem um alerta para as comunidades das zonas onde os incêndios deflagram, é providenciada informação acerca da direcção da propagação dos incêndios, alertando as comunidades que poderão vir a ser afectadas pelos mesmos. Fazem ainda referência a possíveis cortes de estrada e outros constrangimentos que poderão afectar a vida das comunidades locais. Nestas actualizações ficamos também a saber o ponto de situação do combate ao incêndio, dando-nos informações acerca da estratégia utilizada pelas autoridades, sempre com uma linguagem simples e acessível a todos, nomeadamente, daqueles a quem esta informação, efectivamente, se dirige: a população.
As actualizações do CFA, são um exemplo a seguir na linguagem, na qualidade da informação, na forma como a mesma é transmitida e pela quantidade de vezes que a mesma é disponibilizada. Em baixo, ficam os links para o site da CFA e para a sua página na rede social Facebook.
Country Fire Authority
Country Fire Authority (Facebook)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Erupção vulcânica na Ilha do Fogo
A ajuda humanitária a Cabo Verde, na sequência da erupção vulcânica na Ilha do Fogo, está no terreno através de uma missão das Nações Unidas (UNDAC - United Nations Disaster Assessment Coordination Team). Faz parte desta equipa a Comandante Operacional Distrital do Sul, Patrícia Gaspar, na qualidade de perita do Mecanismo Europeu de Protecção Civil. O nosso país contribuiu também com duas ambulâncias, doadas pelas corporações de bombeiros de Cernache do Bonjardim e Constância e ainda com diversos bens necessários à população para fazer face a esta erupção vulcânica. Além da ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil), as Forças Armadas também empenharam meios nesta operação, nomeadamente a Marinha e a Força Aérea, através, respectivamente, de uma fragata e de um avião C-130.
Através da página na rede social Facebook do Grupo Protecção Civil Portugal, tomei conhecimento desta interessante e eficaz síntese informativa acerca da erupção vulcânica da Ilha do Fogo. O texto, as imagens e os vídeos, ilustram bem o desenrolar dos acontecimentos, a forma como a lava já avançou ao longo da ilha e o rasto de destruição que vai deixando por onde passa. Aqui ficam os links para este documento e para a página principal deste interessante blog.
Fogo Eruption
Natural Hazards, GIS and Disaster Management
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